Quantos dias são
Do amanhecer
Até ao sol se deitar
Quantos dias são
Correr, esperar
Ir a terras distantes
No mesmo lugar
No fim do dia
Nas estações, paragens
Onde procuro
Eternidade
Nas luzes esbatidas
Sinal distante
≈ vinte anos de poesia japonesa irregular
Este é o blog que acolhe os haikus de João Valado e Emanuel Viçoso.
O haiku é uma forma poética de origem japonesa, composto por três versos curtos com 5, 7 e 5 sílabas métricas.
Três simples linhas que reflectem quem nós somos e a longa estrada que caminhamos. [Ler mais]
Obrigado pela visita.
Do amanhecer
Até ao sol se deitar
Quantos dias são
Correr, esperar
Ir a terras distantes
No mesmo lugar
No fim do dia
Nas estações, paragens
Onde procuro
Eternidade
Nas luzes esbatidas
Sinal distante
Como pedir-te
Que deixes tudo p'ra trás
Preciso de ti
Brinca comigo
Sob um novo céu azul
Que nunca viste
Dança comigo
Numa terra distante
Que me quer levar
Largas os medos
Seguras a minha mão
Sei que me amas
Sonho, lágrima
Esperança adiada
Sangue e raiva
Dias e tempos
Vida paralisada
A morte em mim
No novo dia
Braços fracos, abertos
Dádiva serás
Não do meu ventre
Alma da minha alma
Nascerás em mim
Espreguiço-me
Como a onda, subo
Sem nunca chegar
Deslizo, desço
Saborosa espuma
Terna melodia
Ecos distantes
Duma forte âncora
Que me agarra
Desejo o Fim
E pisco-lhe o olho
Em terra seca
Ecos constantes
Batimentos sem vida
Na sombra branca
Finda a tarde
Último sopro quente
Nova pintura
Sons inaudíveis
Do dia que não termina
Adormecem-me
As folhas dançam
Falta-me a música
Que as embala
(Continuação do Quase-silêncio)
Se do meu amor
Te esqueceres um dia
Não direi adeus
Na doce canção
No tenebroso trovão
Eu te lembrarei
Passos que demos
Os dias prometidos
Brilharão no céu
Na madrugada
O reflexo, o cumprir
O doce chorar
Haiku querido
Se te vejo em papel
Belo sorriso
É o tocar-te
É o querer cheirar-te
Sim, folhear-te
E ilustrado
Como mereces estar
Triplo prazer
Ver-te exposto
E banhado pelo Sol
Feira do Livro
(Para ser publicado ontem. As três primeiras tríades foram publicadas originalmente a 13.09.2006, a última é nova.)
Delicadamente
Minha mão na tua face
Olá, meu amor
Chego. Tu dormes
Outro dia sem me veres
Não te embalei
Quero dizer-te
Que pensei tanto em ti
Um beijo mudo
Suave sorriso
Talvez sonhes comigo
Com o meu cantar
Luzes que passam
Pelo corpo cansado
Final do dia
Sons esbatidos
Embalam a viagem
Volto para ti
A chuva pinga
Um manto de cinzento
Entorpece-me
Busco o teu calor
Chegado ao destino
Sorris para mim
(Luzes que passam revisitado)
© 2005-, Emanuel Viçoso, João Valado e respectivos autores.
Ornamental vine leaves 1879 por Liftarn
Design Minima, adaptado por João Valado
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